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ByEneas Francisco

Conheça Carla Montebeler

Conheça mais sobre a autora da série As Crônicas de Adulão

Um bate-papo muito legal com Carla Montebeler, autora da série As Crônicas de Adulão, cujo quarto livro – A Fortaleza de Jebus – foi publicado pela UPBOOKS.

Carla 41) Quem é Carla Montebeler?
É uma pessoa a quem Jesus salvou e que agora, tenta fazer tudo que pode para torná-lo conhecido. Acho que este é o principal traço do meu caráter porque define todas as outras áreas da minha vida. Tenho 41 anos, nasci em Belo Horizonte/MG, moro em São Paulo há dois anos. Sou casada com o Fabiano e mãe do Guilherme. Estudei secretariado e trabalhei muitos anos nessa profissão. Fui bancária por dez anos, mas detestava a profissão. Então, em 2009 resolvi começar de novo. Voltei para a faculdade para fazer o curso de história e desisti da carreira de bancária para ser escritora. Foi a melhor decisão da minha vida! Sempre lecionei nas escolas dominicais; meu marido e eu atuamos com o ministério de ensino, louvor e jovens na Igreja Batista do Calvário, em BH. Hoje, somos intercessores na Igreja Batista Filadélfia Lauzane, em SP.

Sou apaixonada por viagens, fotografia, música e literatura. Gosto de um bom papo, de preferência com café quentinho e forte! É sempre difícil escrever sobre a gente mesma… acho que vai ficar mais fácil quando você me conhecer! (risos)

2) De onde vem a paixão por livros e por escrever?
Sempre estive rodeada por livros. Na casa do meu pai, mesmo com tão poucos recursos, sempre tivemos livros. Eu acho que comecei com os gibis do Maurício de Souza, que liam pra mim quando tinha três, quatro anos. Aos seis, quando podia ler sozinha, fui descobrindo outras formas de literatura e a paixão foi instantânea. Aprendi a viajar! Na escola, quando descobri que emprestavam livros pra gente, fui à loucura! Todas as páginas do registro da bibliotecária tinha meu nome! Lia a Coleção Vagalume e os clássicos. Meu favorito era José de Alencar. Li quase tudo dele.
Aos dez anos, já tinha lido a bíblia inteira pela primeira vez. Já adulta, me encantei com ficções históricas, que além de divertir, informavam as pessoas! Sempre pensei: puxa… um dia alguém podia escrever assim sobre os valentes de Davi. O Tempo passava e ninguém se habilitava… (risos), então, tomei coragem e escrevi eu mesma uma história que sempre quis ler!

“… então, tomei coragem e escrevi eu mesma uma história que sempre quis ler!”

3) Houve algum momento em que achou a ideia de ser autora absurda?
Não. Fabiano é meu maior incentivador e me apóia muito. Ele me dá condições de ficar em casa e poder me dedicar aos livros. Este é um privilégio que muitos colegas de profissão não tem. A primeira reação de um leitor ao livro O Vale de Elah, mostrando como Deus havia tocado seu coração, fez todo esforço valer a pena. Não considero jamais absurdo. Acho que foi para este propósito que Deus me equipou com os dons que tenho. Fazer a diferença na vida das pessoas não tem preço!

4) Como surgiu o primeiro livro da série As Crônicas de Adulão?
A história de Samah se formou na minha cabeça quando li que os israelitas plantaram um campo de lentilhas e os filisteus vieram toma-lo. Todos os outros fugiram e Samah lutou sozinho e venceu. Ele não arredou o pé. Aquilo me intrigou: o que levaria aquele homem a arriscar a vida por lentilhas? Daí minha mente viajou: uma mulher? Um grande amor? Ela estaria grávida e tinha desejos de lentilhas? Foi daí que comecei a pensar no motivo de cada valente para se juntar a Davi. A bíblia diz apenas que eles eram endividados, amargurados e de coração triste. Assim, imaginei o que levara Samah e os outros até ali. Começou assim…

5) Você já começou sabendo que seria uma série?
Sim. A história de Davi é muito extensa. Com os acréscimos da ficção, sabia que ficaria um livro enorme. Como professora de EBD tive alguns amigos que incentivamos a aprender a ler. Eles foram os primeiros a acreditar no meu sonho. Uma irmã me disse: ‘Pena que eu não vou ler o seu livro se ele for grande demais’ Daí eu disse prá ela: ‘Não se preocupe. Vou escrever aos pouquinhos, livros pequenos, para que a senhora consiga ler todos’. Quando ela leu o Vale de Elah inteirinho, não sei quem ficou mais emocionada: ela ou eu. Então, tenho este compromisso de não deixar que os livros sejam extensos demais. O Vale tem 100 páginas apenas. O Deserto de Maom e o Bosque de Herete, apenas 140. A Fortaleza de Jebus é o mais extenso, com 178 páginas. Mas tenho um sonho enorme de conseguir publicar a série num volume único, que os apaixonados por livros grandes possam desejar.

6) Qual é a melhor coisa de ser escritora?
Três coisas eu posso listar: primeiro, a satisfação de sentir estar cumprindo exatamente o chamado de Deus para mim. Segundo, a interação com os leitores, que são tocados pelas palavras do livro e se identificam com os personagens. Terceiro, os eventos literários onde conhecemos outros escritores, que acabam se tornando amigos e companheiros das letras. Exatamente nesta ordem.

7) Qual o maior desafio?
Divulgação, certamente. Fazer seu trabalho conhecido é muito complicado. O livro é bem aceito entre meus alunos e amigos de BH. Mas saindo da minha roda de relacionamento, ainda não consegui fazer com que as pessoas saibam que existe As Crônicas de Adulão. Isso é um pouco frustrante.

8) Está escrevendo algum livro agora?
Sim. Estou terminando O Vale do Sal, o último livro da série e que vai fechar a história de Samah e os outros valentes.

9) Qual a mensagem por trás de cada livro da série?
Deus pode mudar a sua história, se você deixar que Ele te dê forças para lutar. Em cada um dos livros, veremos personagens tomando decisões difíceis impulsionados por tragédias. Mas a força do Senhor foi suficiente para que eles conseguissem superar as adversidades e conseguir um futuro ainda melhor do que o que eles estavam esperando. O que mais nos ensina é Davi: aprendi com ele que, às vezes, achamos que Deus está respondendo nossa oração, mas nós é que estamos respondendo ao chamado dEle.

10) Depois de Davi, sobre quem você escreveria?
Já tenho na minha mente um desenrolar do pano de fundo da história de Sadraque, Mesaque e Abedenego. Acho que seria fantástico destrinchar esse período do cativeiro de Israel, as peculiaridades da Babilônia e sua cultura (os jardins suspensos famosíssimos!) e como era a vida do hebreu naquele tempo. Acham que seria legal?

11) Qual sua percepção sobre a literatura cristã no Brasil?
Acho que a literatura é cercada de formalidade e tradicionalismo, infelizmente. Os autores brasileiros no meio cristão só são aceitos se já forem famosos, conhecidos em outros canais (música ou pregação). As tentativas de literatura fantástica (romance, ficção) são feitas apenas com traduções de livros que são sucesso no exterior. Já li vários livros bons de romance de autores cristãos, mas que não estão nas livrarias! A maior parte dos cristãos ainda pensa que literatura evangélica deve se manter em torno de devocionais, autoajuda, estudos e testemunhos pessoais. Ainda bem que surgiram plataformas como Wattpad e as mídias digitais onde os leitores podem encontrar novos livros, sem ter que passar pela porta estreitas da seleção das grandes editoras cristãs. O Brasil, também nesta área, precisa aprender a valorizar os próprios brasileiros.

12) Qual seu autor preferido?
Sem dúvida, Frank Peretti. Ele escreve ficção histórica. Justamente por nunca ter lido nada do gênero, o livro dele ‘Este Mundo Tenebroso me marcou sobremaneira. Foi ali que percebi como um livro escrito sob a direção do Espírito Santo pode abençoar as pessoas, mesmo que o gênero seja ficção.

13) Como veio parar na UPBOOKS?
Tá aí um bom exemplo: achei a UPBOOKS pelo facebook! Daí enviei uma mensagem, oferecendo submeter meus livros à análise do editor e – PASMEM! – a UPBOOKS me respondeu! Fui bem recebida e acolhida, numa editora que conhece o mercado nacional e a realidade de um escritor independente. Tudo começou assim.

14) Um Sonho?
Que As Crônicas de Adulão sejam lidas no mundo inteiro! Lido em vários países. Fico imaginando receber uma carta de um jovem da Nova Zelândia dizendo que, na força do Senhor, ele também lutou e mudou sua história.

15) Como é o trabalho de pesquisa para escrever cada livro da série?
É o mais gostoso de fazer! (risos) Como nunca fui à Israel, preciso de mapas para estudar a topografia dos lugares, para que a narrativa das jornadas e viagens seja verossímil. Os livros de Geografia Bíblica me ajudam muito para retratar os povos vizinhos de Israel e as particularidades deles. Livros de Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos me dão o panorama das roupas, utensílios, moedas, costumes (casamentos, guerras, comércio). A História dos Hebreus, de Flavio Josefo, me mantem na ordem cronológica dos eventos, já que a história dos valentes está norteada por Davi. Buscas na internet me dão detalhes como flores e árvores, estações, clima e chuva. Armas e estilos de guerra. Bem… você está vendo? Só de responder isso aqui eu já fico viajando. Claro que tem todo o esforço prá que o livro não fique parecendo com uma aula de história… Tudo isso vai escondido na história, detalhes sutis, mas estão todos lá, para te dar vontade de não parar de ler!