Monthly Archives:setembro 2016

ByEneas Francisco

Antologia a caminho…

Em breve novidades sobre
Viagens Fantásicas pela Bíblia 2

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ByEneas Francisco

Outros tipos de selfie…

Definitivamente esta é a “geração selfie”, não é mesmo? Sim e não! Selfie é uma parada que já está ficando velha. As primeiras selfies foram feitas por volta de 1875 (a imagem que você no post é de 1920) mas o momento presente é especial pois a facilidade dos celulares com câmeras popularizou a arte. Apesar da longa data, a palavra selfie como vem sendo usada foi registrada pela primeira vez em 2002. Antes disso, num passado ainda mais distante, a mesma coisa vem sendo feita sob outro nome: auto-retrato.

O jornalista Rafael Sbarai da Veja, escrevendo sobre o assunto, definiu selfie desta forma: “A selfie pode revelar um estado de espírito ou ser um meio de autopromoção”. Mas, na prática, para o “artista”, qual seria a ideia ou o propósito de uma boa selfie? É simples responder: registrar a melhor imagem de si mesmo; congelar um momento, com aquela melhor roupa, na empolgação do momento, registrando o melhor lado do rosto, com aquele olhar “matador” que só um autro-retratista consegue garantir.

 

selfie1O bacana é a liberdade. Você faz selfie sozinho ou acompanhado. Seja com a mãe, com a vó, com o cachorro ou com a patrão; com o artista preferido, com o melhor amigo ou com um sorriso amarelo, depois de  um fora, mas com a expressão séria de quem tem autoestima suficiente e autoconfiança para uma foto-mensagem – leia-se, (in)direta –  destinada a quem te deu um tchau.

A melhor selfie não tem legenda, mas é pretexto; uma mensagem com a atitude, com o olhar.

 

Voltemos à raiz. Quem faz selfie congela um momento e na maioria dos casos congela um momento-ideal; aquilo que deseja transmitir, mas que ainda é um desafio a alcançar.

Geralmente a selfie com cara de inteligente é para quem quer passar a ideia de inteligência, mas que não é garantia nenhuma do fato.

Nem sempre a autoconfiança está lá; nem sempre a verdadeira comunhão existe e nem toda imagem do casal no elevador é a imagem de um relacionamento estável. É só o momento; “Vamos fazer uma selfie?”

A palavra selfie é um apelidinho para a palavra inglesa “self” que reúne o substantivo self (eu, a própria pessoa) e o sufixo ie. E nessa, vale registrar o melhor momento de si. Não tem que ser perfeito na estética, mas sim, no ideal. A careta perfeita, com a língua de fora ou, como já vi, com os olhos banhados de lágrimas depois de uma boa briga. E já teve quem fez selfie com defunto também.

Quer pior? Há uma lista perigosa de uma galerinha que morreu buscando registrar a melhor selfie. Caíram do prédio, da ponte, o pára-quedas não abriu ou, morreram enquanto dirigiam, tentando registrar o momento.

Meu conselho (sim, eu sei que você não pediu rs): faça quantas selfies quiser, mas por favor, não se congele num momento irreal. Permita-se crescer em meio às dificuldades e desafios da vida e não permita que as selfies sejam só um mensagem do tipo “beijinho no ombro” para os(as) inimigos(as) de plantão. Aproveitando que a palavra selfie diz respeito a si e não ao outro, antes do selfie-retrato, invista também no selfie-respeito, na  selfie-educação, selfie-encorajamento e no selfie-love.

E lembre-se que, no geral, todo mundo já sabe que o que você julga como “a melhor selfie” é a melhor do momento, e não da história. Não tenha medo de publicar uma selfie realista, pois se a realidade não mudar, ela pelo menos fica pra história.

Um cara famoso fez uma selfie com tinta em 1890 e ele não se pintou com a orelha saudável; expressou a realidade, com a orelha da qual ele mesmo havia cortado um pedaço. Acredito que, baseado no autorretrato de 1887, ele preferia seu lado esquerdo. Na época, tudo parecia estar bem, mas na “selfie” de1890, ele mostrou o lado direito, com curativo e tudo.

Nossa geração prefere consertar (editar) o que não gosta em si, para então mostrar a selfie para o mundo. Fazemos a selfie mas não mostramos o si. Mostramos o lado mais agradável do rosto; mostramos algo irreal para aqueles que nos “visitam” nas redes sociais.  Acho que estamos precisando de uma ajudinha.

Ops, já ia me esquecendo. O nome do cara que cortou a própria orelha e mesmo assim não editou a selfie, era Van Gogh.

Abrace-se!


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O capítulo “Você não é [só] o que vê no espelho”, tem tudo a ver com este post!